O pré-candidato ao governo de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, segundo documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado.
De acordo com os registros, os valores foram pagos por meio da empresa MV Projetos e Consultoria. Os documentos indicam que Perillo teria prestado serviços de consultoria para empresas fora de Goiás, mas não detalham quais atividades foram realizadas.
Em resposta à reportagem, a assessoria do ex-governador defendeu a legalidade das atividades. Em nota, afirmou que Perillo está afastado de cargos públicos há mais de oito anos e atuou na iniciativa privada “de forma lícita, transparente e com dignidade como consultor de algumas empresas”. O comunicado também destaca que o contrato com o Banco Master foi encerrado em julho de 2025.
Ainda segundo a defesa, o político prestou serviços de análise de cenários “a uma empresa idônea à época da contratação, sem qualquer vínculo pessoal com os seus dirigentes ou participação em sua gestão”.
Outro nome citado nos documentos é o de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda. Conforme os dados enviados à CPI, ele teria recebido R$ 18,5 milhões por serviços de consultoria ao banco. Em nota, Meirelles informou que seu contrato também foi encerrado em julho do ano passado.
O nome de Marconi Perillo já havia aparecido em um levantamento divulgado anteriormente pelo UOL, que apontou que empresas ligadas a familiares do ex-governador teriam recebido R$ 83,6 milhões em incentivos fiscais de governos federal e municipal. Os recursos seriam destinados ao Jockey Club de São Paulo, então presidido por Perillo. A apuração considerou notas fiscais e documentos internos e listou despesas como pagamentos a uma construtora fantasma, jantares em restaurantes de alto padrão, gastos em farmácias e aluguel de equipamentos enviados a cidades sem relação com as obras do hipódromo.
Entenda o caso do Banco Master
O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após a identificação de irregularidades financeiras. A instituição passou a ser investigada por suspeitas de fraudes bilionárias, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e possível atuação de organização criminosa.
As apurações indicam ainda o uso de “títulos podres” para inflar artificialmente os balanços da instituição. O caso envolve órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio Banco Central.
Outra frente de investigação trata da comercialização de créditos consignados para pensionistas, em um escândalo que atingiu o INSS e motivou a criação de uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para aprofundar a apuração.


