O que antes era marcado pela seca e pela dificuldade para produzir hoje se transforma em exemplo de desenvolvimento rural no Nordeste Goiano. Em Flores de Goiás, no Vão do Paranã, agricultores familiares estão mudando de vida graças a um projeto de irrigação que levou água, tecnologia e assistência técnica às propriedades.
A transformação é retratada na história da agricultora Júlia Pereira de Andrade, que passou dois anos sem água dentro da própria chácara.
“Eu ajoelhei e pedi muito a Deus para que me desse água”, relembra a produtora. Hoje, o poço artesiano que abastece a propriedade irriga plantações de maracujá e manga, garantindo renda para a família.
Antes da chegada da irrigação, o marido dela, João, precisava deixar a propriedade para trabalhar em fazendas da região. Atualmente, o casal cultiva dois hectares de frutas e consegue viver da produção agrícola.
O projeto é desenvolvido pela Embrapa, com recursos da Codevasf. Até o momento, cerca de 80 produtores foram beneficiados, e a meta é atender 250 famílias em aproximadamente 500 hectares irrigados.
Segundo o pesquisador da Embrapa José Carlos Sousa, a irrigação permite que os agricultores tenham produção e renda durante praticamente todo o ano, reduzindo a dependência das chuvas.
A iniciativa também tem incentivado a permanência dos jovens no campo. Aos 19 anos, Daniel Rodrigues, formado em agropecuária, decidiu continuar trabalhando na propriedade da família para investir na produção de frutas e ampliar a renda.
Outro produtor que demonstra otimismo é Edgar Rodrigues, que sonha em ver as mangas produzidas na região chegando ao mercado internacional.
“A gente sonha alto”, afirma o agricultor, que acredita no potencial da fruticultura irrigada para impulsionar a economia do Nordeste Goiano.



