A trajetória da professora Madalena Torres, de 62 anos, se entrelaça com a história de Ceilândia – região administrativa do Distrito Federal que completou 55 anos na sexta-feira (27).
A educadora relembrou a trajetória, falou sobre a relação com a região administrativa e compartilhou o trecho de um livro de Paulo Freire que conta parte da sua história.
Nascida em 27 de abril de 1963, Madalena é referência na educação popular da cidade – alfabetizou cerca de 16 mil pessoas junto ao movimento popular e dedicado décadas à formação de jovens, adultos e outros educadores
Nascida em Divinópolis de Goiás (GO), a cerca de 460 km do Distrito Federal, Madalena chegou em Ceilândia com pouco menos de 8 anos – quando a região recém-fundada tinha apenas oito meses de existência.
Graduada em filosofia e mestre em tecnologia da educação, Madalena atuou como professora efetiva no Centro de Ensino Especial de Brazlândia (Cenebraz) por três anos.
Em 2001, voltou para a Escola Classe 19, em Ceilândia, de onde nunca mais saiu.
A história da educadora é marcada pela superação: enfrentou um câncer de mama em 2008, passou por tratamento intenso e, mesmo diante das sequelas, não deixou de atuar na educação. Em 2010, aposentada por invalidez, passou a trabalhar como educadora popular no Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia (Cepafre).
O Cepafre, fundado oficialmente em 1989, já alfabetizou mais de 16 mil pessoas e formou grupos de educadores populares em várias cidades do DF e entorno, sendo um dos pilares da transformação social em Ceilândia.
Em 2025, a trajetória foi interrompida mais uma vez por uma retinopatia diabética que fez Madalena perder a visão temporariamente. Tão logo se recuperou, ela voltou à educação – desta vez, formando novos alfabetizadores no Cepafre.
O ato de educar, para Madelena, não se restringe à sala de aula.
A professora usa o cinema como ferramenta de alfabetização e de formação profissional – uma estratégia baseada nos princípios do educador brasileiro Paulo Freire.
No livro, Freire conta um episódio que revela um caso de racismo que Madalena sofreu ainda no começo de sua carreira.
A vida e a atuação de Madalena Torres são parte fundamental da memória e da identidade de Ceilândia, cidade que, assim como ela, é símbolo de resistência, transformação e esperança.


