O sonho nasceu cedo, ainda na infância, dentro de uma família simples do interior de Goiás. Anos depois, com disciplina, apoio familiar e uma rotina intensa de estudos, a jovem Evellyn do Prado Lourenço, de 19 anos, transformou o desejo em conquista: passou em primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e será a primeira médica da família.
Entenda
Evellyn sonha em ser médica desde os 10 anos de idade
Estudante construiu a trajetória majoritariamente na rede pública
Aprovação veio em 1º lugar pelo sistema de cotas, via Sisu
Pai e filha dividiram decisões, sacrifícios e a rotina de estudos
Um sonho que começou cedo
Quando criança, Evellyn não hesitava diante da pergunta clássica sobre o futuro. “Eu quero ser médica”, repetia, com convicção, desde os 10 anos de idade. Para o pai, Vanilson José Lourenço, professor da rede pública, o desejo soava ambicioso demais para a realidade da família, moradora de Formosa (GO) e de origem humilde.
“Na época, eu ainda trabalhava como mecânico de máquinas pesadas. Sou filho de lavrador e dona de casa. Aquele sonho parecia distante, mas ela nunca voltou atrás”, lembra Vanilson.
Desde cedo, a filha demonstrava curiosidade pelo aprendizado e um envolvimento acima da média com os estudos. Assistia a séries médicas, buscava entender melhor os conteúdos escolares e, por iniciativa própria, procurou reforço em matemática, disciplina que considerava essencial para alcançar o objetivo.
Escolhas conscientes e foco nos estudos
A trajetória escolar de Evellyn passou tanto pela rede pública quanto pela privada. No entanto, ao ingressar no ensino médio, ela fez questão de retornar à escola pública. A decisão, segundo o pai, foi motivada pelo desejo de ampliar a socialização e vivenciar diferentes realidades.
No primeiro ano, estudou em período integral na Escola Estadual Sérgio Fayad. Depois, transferiu-se para a Escola José Décio, onde passou a estudar no turno matutino. A mudança permitiu conciliar o ensino regular com um curso preparatório voltado exclusivamente para vestibulares.
“Ali eu tive consciência de que precisava de muito mais esforço e organização. Então, junto com meu pai, decidimos mudar a estratégia”, conta Evellyn.
Rotina intensa e construção do próprio caminho
O último ano do ensino médio marcou o início de uma rotina puxada. Evellyn dividia os dias entre aulas, estudos individuais e simulados.
“Eu praticamente morava no local onde fazia o cursinho. Foram dois anos de muito esforço, paciência e dedicação”, relata.
Para ela, estudar nunca foi um fardo, mas uma necessidade. “É um processo cansativo, de muito autoconhecimento, ainda mais para um curso tão concorrido como medicina”, afirma.
Nesse período, o apoio da família e dos amigos foi decisivo. A fé também teve papel importante para manter a estudante firme diante das dificuldades. “Parecia um objetivo muito distante. Eu precisava me construir do zero”, diz.
Primeiro lugar e um marco para a família
Todo o esforço culminou na aprovação em primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), pelo Sisu, no sistema de cotas. O resultado representa mais do que uma conquista individual.
“A aprovação da Evellyn mostra o poder transformador da educação e da persistência”, afirma o pai, emocionado.
Aos 19 anos, Evellyn não apenas realiza um sonho de infância, mas também abre um novo capítulo na história da família. “Serei a primeira médica da minha família. É uma responsabilidade enorme, mas também uma alegria imensa”, conclui.

Fonte: Metrópoles

