Por Guilherme Henrique
A 29ª Expoagro de Campos Belos, que acontece de 1º a 5 de julho, já pode ser considerada um sucesso antes mesmo do último acorde. Primeiro, pelo feito histórico: uma edição com portões totalmente abertos, fruto do trabalho do ilustríssimo presidente do sindicato, Orlando Júnior, e do empenho dos empresários Cassin, do HP, e Rafael Santos. Festa de graça, do jeito que o povo gosta e merece.
A espera de uma década
A expectativa para esta edição era das maiores. Fazia dez anos que nenhum cantor do chamado “tier A” subia num palco de Campos Belos. Promessas houve muitas: Leonardo, Israel e Rodolffo… todas se esvaíram no ar e ficaram apenas no campo da possibilidade, alimentando conversa de bar e esperança de aficionado.
O povo estava com sede. Sede de ver a querida Campos Belos ser finalmente contemplada com um show do alto escalão sertanejo. E aí é que mora a contradição desta história.
Porque o anseio era por ver os famosos, mas é notório que o sertanejo não faz parte da identidade cultural da cidade. Campos Belos tem o forró como raiz, como motivação de alegria, como pilar na construção da sua cosmovisão cultural. O sertanejo era o desejo; o forró sempre foi o pertencimento.
Hugo e Guilherme: o peso da história
Foi nesse cenário que a dupla Hugo e Guilherme chegou como a grande atração da festa, e é preciso reconhecer: a apresentação fez jus ao nome que carregam. Donos de sucessos que dominam as rádios e playlists do país, os dois entregaram um show de altíssimo nível técnico, com banda afinada, produção impecável e um repertório que fez a praça de shows cantar do início ao fim.
Mais do que isso, a vinda da dupla tem valor histórico. Depois de dez anos sem artistas do alto escalão, foram Hugo e Guilherme que finalmente quebraram o jejum e colocaram Campos Belos de volta na rota dos grandes nomes do sertanejo. Esse mérito ninguém tira deles, e a cidade agradece.
Mas há coisas que nem o melhor show do mundo consegue comprar: o coração de um povo tem dono, e em Campos Belos ele fala forrozês.
Josué Bom de Faixa: a entrega que ninguém esperava (e todo mundo precisava)
E então, com um cachê cerca de dez vezes menor que o da atração principal, Josué Bom de Faixa subiu ao palco e fez o improvável: transformou o show “de apoio” no assunto da festa.
Dono de hits como “A Loira, a Morena e a Ruiva”, “Volta Rapariga” e “Deixa Eu Falar Pra Você”, Josué criou em Campos Belos uma legião de fãs que vai muito além da performance. Ele ganhou o público pela humildade, pela gratidão visível em cada agradecimento e pela emoção genuína de ver suas músicas ultrapassarem fronteiras.
E tem um detalhe que faz toda a diferença: Josué canta forró. A língua materna musical de Campos Belos. Enquanto o sertanejo era um convidado ilustre, o forró é gente de casa. Quando Josué subiu no palco, não era um artista se apresentando para uma plateia; era uma cidade inteira cantando junto com um dos seus.
O veredito do povo
Terminada a noite, Josué Bom de Faixa tornou-se o assunto da cidade. Nas rodas de conversa, nos grupos de WhatsApp, na fila do espetinho: o consenso é um só. Foi o show mais marcante dos últimos tempos em Campos Belos.
A 29ª Expoagro deixa, além da festa, uma bela lição: grandeza de show não se mede só por cachê ou por fama, mas pela conexão entre artista e público. Hugo e Guilherme realizaram o sonho antigo de trazer o grande sertanejo à cidade. Josué lembrou a todos de onde esse povo veio e ao som de que ele é mais feliz.
Campos Belos esperou dez anos por um artista tier A. Ganhou dois presentes numa festa só: o show que sonhava ver e o show que não sabia que precisava.

